Diferente de sistemas proprietários como o Windows ou OS X, as distros Linux são muito versáteis: elas podem rodar de várias formas no seu computador. Uma das formas mais populares é como liveCD/DVD ou liveUSB. O sistema completo roda a partir de uma mídia removível, sem precisar da tradicional instalação.
Como criar um pendrive de boot do Linux com o LiveUSB Creator
Em primeiro lugar, baixe o LinuxLive USB Creator no site oficial (procure a seção de download):
Apesar de ser focado em Windows, ele é open source (GPLv3), isto é, licenciado como software livre. Isso significa que você não está baixando um software 'pirata' e sim um programa que o autor liberou para uso gratuito e livre, desde que corresponda à licença de sotware livre. Parece coisa de maluco, de conto da carochinha, mas é verdade. O máximo que o autor aceita é uma doação para que continue a fazer seu trabalho. Se quiser saber mais sobre software livre, acesse os sites http://softwarelivre.org/ , http://www.softwarelivre.gov.br/ e http://www.softwarepublico.gov.br/ e veja que, mesmo olhando só para o Brasil, o movimento do software livre é uma atividade séria e a comunidade envolvida em todo o mundo para essa iniciativa é enorme. Softwares como Android, Chrome e Firefox são só alguns mais conhecidos dos milhares de sistemas desenvolvidos para uma infinidade de aplicações e baseados na comunidade e licenças de software livre. Apenas não tem muita informação na mídia, porque ela não ganha nada com software livre. Chega de conversa e vamos ao trabalho.
Passo 1: Escolhendo o pendrive de destino
Passo 2: Escolhendo o Linux a ser colocado no pendrive
Se você não tiver o sistema Linux baixado ainda, clique em Download e escolha uma distro dentre as suportadas. Se der algum erro, clique no botão da seta para voltar. O ideal é mesmo baixar a distro diretamente no site oficial, seria mais prático (geralmente recomendo baixar por torrent, quase sempre sai mais rápido).
Passo 3: Persistência
Uma vez escolhido o sistema, você pode passar para o passo 3, opcional. Ele define a persistência: usando o espaço livre no pendrive o LinuxLive USB Creator criará um arquivo para salvar os dados modificados. Configurações diversas (favoritos, cores, temas, etc) e arquivos baixados ou programas instalados quando no modo live serão salvos nele. Ao reiniciar o computador no modo live (ou ao iniciá-lo em outra máquina) o sistema será apresentado como estava antes.
Nesse passo você pode definir o tamanho do arquivo desejado para persistência. Você pode deixar 0 para desativar o recurso (o Linux rodará sem salvar dados no pendrive, como se fosse um liveCD mesmo, perdendo as alterações a cada reinicialização). Colocar um tamanho maior normalmente fará com que o processo de gravação demore mais.
Dica 1: você não precisa definir o tamanho máximo! O pendrive normalmente será formatado em FAT32, e continuará funcional no Windows, OS X e outras distros Linux como um pendrive qualquer para guardar dados. A diferença é que ele terá ocupado uma boa fatia do espaço. Fora isso, ele poderá ser usado normalmente.
Dica 2: No meu caso, como escolhi o OpenSuse, o Lili USB Creator nem abre a opção de Persistência, porque essa distribuição do Linux não prevê atualizações ou alteração de configurações em pendrives. Mas se for Ubuntu, por exemplo, é legal ter um espaço dedicado para algumas configurações, como senha de sua wi-fi, updates de navegadores, atualizações segurança, etc. Mas não instale muitos outros programas que os já existentes, nem guarde arquivos grandes, porque o espaço sempre será pouco para isso.
Passo 4: Opções adicionais
O passo 4 traz opções adicionais, como a possibilidade de ocultar os arquivos (para que não sejam apagados acidentalmente nas pastas ao usar o pendrive em outros sistemas); formatar o pendrive em FAT32 (ideal se o pendrive estiver cheio ou estiver com outro sistema de arquivos, porém lembre-se que isso apagará tudo dele!); e permitir a inicialização do LinuxLive de dentro do Windows, uma opção menos popular que pode ficar desmarcada.
Passo 5: Instalação
Estando tudo pronto basta clicar no ícone do raio. O processo poderá demorar bastante, dependendo da velocidade de gravação da mídia, do tamanho do arquivo de persistência escolhido e da fonte da imagem (normalmente imagens ISO serão gravadas mais rapidamente do que ao copiar a partir de um CD/DVD físico, porque elas já estão no seu HD).
Quando o processo for concluído, pronto! Seu pendrive estará pronto para uso. Lembre-se de removê-lo com segurança para evitar corrupção ou perda dos dados.
Como iniciar o computador pelo pendrive do Linux
Você precisará conectar o pendrive no computador antes de ligá-lo. Se ele já estiver ligado será necessário reiniciá-lo. Na tela de configurações do SETUP há uma opção para escolher a ordem de boot. Você deverá entrar lá e configurar o sistema para iniciar pelas unidades USB primeiro. Essa configuração varia muito de placa mãe para placa mãe, ou de laptop, motivo pelo qual não dá para colocar um passo a passo único nesta dica. Consulte o manual da sua placa. Para detalhes válidos para a maioria dos casos, consulte este guia.
Boa parte das placas mãe permite que você escolha outro dispositivo de inicialização ao ficar teclando determinada tecla durante o POST, a fase inicial de inicialização do PC. Em algumas é F8, em outras F12 - novamente, consulte o manual. Nesse caso não é necessário alterar a configuração permanentemente no SETUP, basta ficar teclando a tecla em questão somente quando você quiser iniciar pelo pendrive. Se passar do ponto ou se você tiver tentado a tecla errada e o Windows começar a ser inicializado, será necessário reiniciá-lo e tentar novamente. É necessário teclar bem antes do Windows entrar em ação, logo que o computador é ligado (geralmente antes, durante ou depois do apito).
Na minha placa atual (Gigabyte H61M-DS2) a tecla é F12. Tenho uma outra, ECS que a tecla é F11. No laptop Toshiba é F12. Nas Asus que tive era F8. Com o pendrive plugado, ligue o computador e fique pressionando uma delas (F12 ou F8, F11 ou tente outra se não for). Aparecerá uma tela de escolha do dispositivo de inicialização. Nesta Gigabyte eu preciso escolher USB-ZIP, caso contrário ela não reconhece o boot pelo pendrive. No meu laptop aparece DataTraveler USB, porque é a marca do pendrive. Se for o caso, tente cada opção disponível até conseguir.
Finalizando...
O botão Opções na parte inferior da tela do LinuxLive USB Creator traz opções referentes ao funcionamento do programa em si, como idioma e opções avançadas a serem usadas apenas em casos muito especiais. Normalmente você não precisará tocar nele.
Essa é uma das vantagens do software livre: ele pode ser usado como quiser, independente de restrições artificiais. Até é possível criar liveCDs de Windows, mas isso não é algo apoiado oficialmente pela Microsoft. O Windows 8 Enterprise tem um modo de instalação em pendrive (o Windows To Go), mas ele funciona apenas em pendrives bem rápidos e não é disponibilizado a todos, já que a edição Enterprise tem um modelo de distribuição bastante restrito.
Além do modo "live" normalmente é possível instalar Linux em pendrives como se fossem um HD comum, selecionando uma partição no pendrive como destino do diretório raiz durante a instalação (se fizer isso, certifique-se de não criar partição swap no pendrive, por favor!). O Windows geralmente não suporta isso: ele até pode permitir que a instalação seja iniciada num pendive como se fosse um HD (experimente iniciar o instalador do Windows com um pendrive conectado), mas no final dará algum erro.
Instalar o Linux num pendrive é algo simples e bastante útil, seja como live, com ou sem persistência, ou como se fosse usando o pendrive como um HD mesmo. Normalmente o mesmo pendrive pode ser usado em vários computadores: a cada inicialização o sistema detecta os dispositivos e inicia os drivers/módulos adequados (isso pode ficar prejudicado ao usar drivers proprietários, caso esteja com o modo de persistência).
As possibilidades de uso são ilimitadas, só depende das suas necessidades e imaginação. Gosto de recomendar isto para amigos, mesmo os que não usam Linux, para casos de emergência. Quando o sistema principal der problema nem tudo estará perdido, bastará iniciar o Linux pelo pendrive. Desde que a partição no HD não esteja criptografada (com o Bitlocker ou Truecrypt, por exemplo) o Linux conseguirá acessar os arquivos no HD normalmente. Outra vantagem é a segurança: quando quiser usar o PC ou laptop de outra pessoa, com o seu sistema no pendrive, você usa o PC/laptop e nenhum dado fica registrado no HD do equipamento. Outro caso é quando você está com pressa para acessar o site do seu banco ou de outro site que você precisa ter segurança. Aí, você se lembra que se esqueceu de atualizar o anti-vírus, que faltou uns updates de segurança no windows, que não atualizou o navegador... Religue seu PC com o pendrive, acesse o Linux e o site com segurança. Isso é muito bom, não é?
Mais informações em http://www.linuxliveusb.com/help/guide/using-lili




